segunda-feira, 13 de abril de 2009

Constatações Turísticas


Resolvi passar a semana santa com meu amor em Boipeba, perto de Valença/Ba. Lugar lindíssimo, calmo, romântico, um sonho.

Eu indico, mas tem que ter fôlego, são, no mínimo, 04 horas viajando para chegar lá. Não quis ir de carro, então tivemos que pegar um Ferry (não foi o Ivete Sangalo, infelizmente), mais ou menos 1 hora. Em Bom Despacho, pegamos uma Topic apinhada de gente, para Valença, mais ou menos 2:30H mal acomodado. E, agora sim, mais 1 hora de lancha rápida, pois se for a convencional, leva 4horas para chegar em Boipeba. Sim, e prepare o bolso, tá? A topic são de R$ 12,00 a 15,00/cabeça e a lancha rápida, R$ 35,00 por cabeça.

Bom, falemos dos passeios, do lugar. Gente, é uma calmaria sem precedentes. Não tem o famigerado som "baixo astral" automotivo, até porque lá não entra carro, é um vilarejo totalmente cercado de água do mar e do rio, que se misturam, "ilhada" mesmo.
Um dos passeios é para uma tal piscina, quando vc pega um barco ou lancha rápida e o marinheiro te leva para alto mar, onde tem bancos de areias esculpidos pela mãe natureza, é raso e o mar calminho, pode confiar. Tem corais e peixinhos para ver, mas tem que levar snorkel, a olho nu não dá. Mas vamos, passeio para piscinas e Moreré: R$ 25,00/cabeça; aluguel do snorkel: 01 são R$10,00, mas 02 são R$ 15,00.



Continuando... Outro passeio famoso é a volta à ilha, quando o marinheiro, numa lancha rápida, te leva em vários pontos, primeiro nas piscinas que falei mais acima e depois em outros lugares como Castelhano, que é outro banco de areia em alto mar, diferente das piscinas; tem também Cova da Onça que é um vilarejo, lá você almoça no Restaurante Toca da Onça, a especialidade da casa é lagosta. Hummmm, delícia! Depois eles te levam em um bar flutuante para comer ostra crua ou gratinada. E lá você verá o pôr-do-sol. Coisa linda, maravilha da natureza. Mas não fique tão alegre, este passeio custa R$60,00/cabeça. Nos bares flutuantes a cerveja é R$ 5,00 (ôpa!) e tudo é bem carinho.



Bem, pessoal, minhas constatações turísticas, título desta postagem, foram as seguintes:
-Boipeba é lindo, mas depois que vc faz os passeios que falei, vai à praia, não tem mais nada para fazer, então é um lugar para passar no máximo 01 semana, para mim, estourando 05 dias;

- Os preços de lá são para inglês ver, para terem uma idéia, somente eu, meu amor e mais 04 pessoas eram baianas, o resto (e foi gente pra caramba!) tudo do sul, sudeste e estrangeiros (estes em bem maior quantidade);

- Constatei que a Bahia não é para os baianos, tudo muito caro, o tratamento é visivelmente diferenciado, uma situação estranha.

Mas valeu muito, valeu mesmo. Nem por isso eu vou desistir da minha missão de desbravar essa Bahia linda.

Vamos viajar, meu povo, vamoooooooos!

PS.: Gente, as pessoas continuam jogando lixo no mar, na areia da praia, nas ruas, levando comida humana pra alimentar os peixinhos. Vi tanta garrafa pet, plásticos e lixos largados. Vamos mudar essa idéia, preservar a nossa natureza. Vi também pessoas pegando conchas, pedras, etc para levar para casa como souvenir. Que é isso? As lembranças que devemos trazer dessas viagens são artesanatos locais e as fotografias. Sem deixar rastro, sem levar nada da natureza, ok?

Um beijo!

sábado, 4 de abril de 2009

Meu nome é mulher





















No princípio eu era a Eva
Criada para a felicidade de Adão
Mais tarde fui Maria
Dando à luz aquele
Que traria a salvação
Mas isso não bastaria
Para eu encontrar perdão.
Passei a ser Amélia
A mulher de verdade
Para a sociedade
Não tinha a menor vaidade
Mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Quero minha dignidade
Tenho meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha
Sou pai, mãe, arrimo de família
Sou caminhoneira, taxista,
Piloto de avião, policial feminina,
Operária em construção...
Ao mundo peço licença
Para atuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER..!!!!

A lua que não dei.





Oi, pessoal! Recebi esta mensagem por e-mail e gostei muito. Compartilho com todos.

Meu comentário: Sinto falta de ter um pai de verdade, para que eu pudesse ser uma filha de verdade, como sou para minha mãe. E sonho com isso para os filhos que vir a ter.
Beijos, bom final de semana e até mais.
Lília


A Lua que não dei

Compreendo pais - e me encanto com eles - que desejariam dar o mundo de presente aos filhos. E, no entanto, abomino os que, a cada fim de semana, dão tudo o que filhos lhes pedem nos shoppings onde exercitam arremedos de paternidade. E não há paradoxo nisso. Dar o mundo é sentir-se um pouco como Deus, que é essa a condição de um pai. Dar futilidades como barganha de amor é, penso eu, renunciar ao sagrado.


Volto a narrar, por me parecer apropriado à croniqueta, o que me aconteceu ao ser pai pela primeira vez. Lá se vão, pois, 45 anos. Deslumbrado de paixão, eu olhava a menina no berço, via-a sugando os seios da mãe, esperneando na banheira, dormindo como anjo de carne. E, então, eu me prometia, prometendo-lhe: 'Dar-lhe-ei o mundo, meu amor.' E não lho dei. E foi o que me salvou do egoísmo, da tola pretensão e da estupidez de confundir valores materiais com morais e espirituais.


Não dei o mundo à minha filha, mas ela quis a Lua. E não me esqueço de como ela pediu, a Lua, há anos já tão distantes. Eu a carregava nos braços, pequenina e apenas balbuciante, andando na calçada de nosso quarteirão, em tempos mais amenos, quando as pessoas conversavam às portas das casas. Com ela junto ao peito, sentia-me o mais feliz homem do mundo, andando, cantarolando cantigas de ninar em plena calçada. Pois é a plenitude da felicidade um homem jovem poder carregar um filho como se acariciando as próprias entranhas. Minha filha era eu e eu era ela. Um pai é, sim, um pequeno Deus, o criador. E seu filho, a criatura bem amada.


E foi, então, que conheci a impotência e os limites humanos. Pois a filhinha - a quem eu prometera o mundo - ergueu os bracinhos para o alto e começou a quase gritar, assanhada, deslumbrada: 'Dá, dá, dá...' Ela descobrira a Lua e a queria para si, como ursinho de pelúcia, uma luminosa bola de brincar.Diante da magia do céu enfeitado de estrelas e de luar, minha filha me pediu a Lua e eu não lha pude dar.


A certeza de meus limites permitiu, porém, criar um pacto entre pai e filhos: se eles quisessem o impossível, fossem em busca dele. Eu lhes dera a vida, asas de voar, diretrizes, crença no amor e, portanto, estímulo aos grandes sonhos. E o sonho da primogênita começou a acontecer, num simbolismo que, ainda hoje, me amolece o coração. Pois, ainda adolescente, lá se foi ela embora, querendo estudar no exterior. Vi-a embarcar, a alma sangrando-me de saudade, a voz profética de Kalil Gibran em sussurros de consolo:


'Vossos filhos não são vossos filhos, mas são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Eles vêm através de vós, mas não de nós. E embora vivam convosco, não vos pertencem. (...) Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.'


Foi o que vivi, quando o avião decolou, minha criança a bordo. No céu, havia uma Lua enorme, imensa. A certeza da separação foi dilacerante. Minha filha fôra buscar a Lua que eu não lhe dera.

E eu precisava conviver com a coerência do que transmitira aos filhos: 'O lar não é o lugar de se ficar, mas para onde voltar.'


Que os filhos sejam preparados para irem-se, com a certeza de ter para onde voltar quando o cansaço, a derrota ou o desânimo inevitáveis lhes machucarem a alma. Ao ver o avião, como num filme de Spielberg, sombrear a Lua, levando-me a filha querida, o salgado das lágrimas se transformou em doçura de conforto com Kalil Gibran: como pai, não dando o mundo nem Lua aos filhos, me senti arqueiro e arco, arremessando a flecha viva em direção ao mistério.


Ora, mesmo sendo avós, temos, sim e ainda, filhos a criar, pois família é uma tribo em construção permanente. Pais envelhecem, filhos crescem, dão-nos netos e isso é a construção, o centro do mundo onde a obra da criação se renova sem nunca completar-se. De guerreiros que foram, pais se tornam pajés. E mães, curandeiras de alma e de corpo. É quando a tribo se fortalece com conselheiros, sábios que conhecem os mistérios da grande arquitetura familiar, com régua, esquadro, compasso e fio de prumo. E com palmatória moral para ensinar o óbvio: se o dever premia, o erro cobra.


Escrevo, pois, de angústias, acho que angústias de pajé, de índio velho. A nossa construção está ruindo, pois feita em areia movediça. É minúsculo o mundo que pais querem dar aos filhos: o dos shoppings. E não há mais crianças e adolescentes desejando a Lua como brinquedo ou como conquista.


Sem sonhos, os tetos são baixos e o infinito pode ser comprado em lojas. Sem sonhos, não há necessidade de arqueiros arremessando flechas vivas.


Na construção familiar, temos erguido paredes. Mas, dentro delas, haverá gente de verdade?


Cecílio Elias Netto é escritor e jornalista